Quando a lei obriga, o indicador acontece

Abrimos ao público o Painel de Indicadores da Manutenção, com 2.425 respostas da pesquisa contínua da RBM, de 2013 a 2026. O primeiro resultado já diz muito.
Os quatro primeiros lugares são da segurança
- Taxa de Acidentes com Afastamento: medida por 86% das empresas.
- Taxa de Acidentes sem Afastamento: 76%.
- Taxa de Quase Acidentes: 71%.
- Taxa de Frequência de Acidentes: 69%.
Só depois vêm os indicadores de gestão: Cumprimento da Programação de Preventiva (63%), TMEF (61%), Disponibilidade (59%), TMPR (49%), Custo de Manutenção sobre o Faturamento (46%), OEE (44%) e Backlog (41%). Custo de Manutenção sobre o Valor de Reposição dos Ativos: 20%.
A notícia boa
Segurança em primeiro lugar não é slogan. É prática medida. A vida e a saúde do trabalhador vêm antes de qualquer meta de produção, e os números mostram que a manutenção brasileira leva isso a sério. As empresas também estão mais satisfeitas com os indicadores de segurança (nota média perto de 4, numa escala até 5) do que com os de desempenho (perto de 3,6).
A notícia ruim
Os indicadores que mostram a saúde do negócio ficam em segundo plano. Quatro em cada dez empresas não medem o Tempo Médio Entre Falhas. Mais da metade não mede quanto a manutenção custa em relação ao faturamento. Oito em cada dez não comparam o custo de manutenção com o valor dos ativos que mantêm.
Sem esses números, a manutenção não prova o próprio valor. E o orçamento vira corte linear.
Por que a segurança chegou lá
Porque a lei obriga. A Comunicação de Acidente de Trabalho é obrigatória pela Lei 8.213/1991 e segue para o eSocial. As Normas Regulamentadoras exigem que os acidentes sejam registrados e analisados. A ABNT NBR 14280 padroniza o cálculo das taxas de frequência e de gravidade. Há fiscalização, multa e responsabilidade do gestor.
Resultado: o indicador existe, tem dono, tem fórmula e é acompanhado. Até o quase acidente, que nenhuma lei exige medir, pegou carona na cultura criada pela obrigação.
Ninguém é multado por não medir o TMEF. Por isso ele fica para depois.
A lição para a gestão de ativos
Não precisamos esperar uma lei. Precisamos dar aos indicadores de desempenho a mesma disciplina que a segurança já tem:
- Fórmula padronizada e escrita, como a NBR 14280 faz para os acidentes.
- Dono definido e meta aprovada pela direção.
- Registro e análise com rotina fixa, na mesma cadência das reuniões de segurança.
- Consequência: orçamento e prioridades decididos a partir dos números.
A ISO 55001 pede exatamente isso de quem quer gerir ativos de forma profissional. Ela não é lei. Mas quem compara a própria operação com o mercado já percebeu que deveria ser tratada como se fosse.
Veja os números do seu setor
O painel é aberto e gratuito. Filtre por setor, porte e período e compare a sua realidade com a de quem se parece com você: omfhub.com/indicadores.
Sua vez
- Comente: na sua empresa, qual indicador de desempenho já tem a mesma disciplina dos indicadores de segurança?
- Participe: cadastre-se grátis no HUB RBM para responder às próximas rodadas da pesquisa e receber os resultados.
- Converse com quem faz: quer levar essa disciplina para a sua manutenção? Fale com a Lima Walter Consultoria.
Fonte: Painel de Indicadores da Gestão de Ativos, pesquisa contínua RBM / Lima Walter, 2.425 respostas de 2013 a 2026. Percentual de quem respondeu se mede cada indicador.

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